As primeiras palavras são aquelas que definem o rumo da vida, as últimas são aquelas que o delimitam. Se o vento sopra a face da discórdia com delicadeza, ele faz levantar a poeira da conciliação. Talvez não a qual ela desejava, porém a mais sensata. Será?
O entardecer lhe dava a certeza de um destino obscuro, a falta de luz sobre seus pensamentos a deixava aflita. Cada segundo passava como espinho em suas suaves lembranças. Era pertubador. Como em um filme, cenas lamentáveis de sua vida transpostas em flashes rápidos Alienavam-na. Sentia escorrer sobre sua face algo que julgava ser lágrimas, visto que saiam de seus olhos.
Com todas as luzes de sua casa apagadas, sentiu-se tentada a ir à cozinha. Foi o que fez. Parada, a frente de seu armário, somente iluminada com o calor do luar ao entardecer, sentiu novamente aquele estranho líquido escorrer sobre suas bochechas. Abriu a gaveta na qual guardava seus talheres mais pesados e delicadamente, pousou a mão sobre tais. Em um especialmente. A viagem dos pais tornara a situação propícia, não haveria outra. O objeto cutuicava-lhe a palma da mão, mas não era suficiente. Aplicou mais força, até sentir a dor que a sufocava emanar por seu sangue.
Cada lágrima que escorria por seu rosto levava um pouco de sua aflição e abria a porta de boas-vindas para outras. Apesar da cozinha escura, podia ainda ver a vermelhidão de seu armário, antes bege. Já não tinha mais forças, a tontura a atacava com fulgacidade. Aos prantos, finalmente sentia-se feliz. A dor já não era tanta.
Agarrou sua aliviadora e escorregou pelo armário, até sentar-se no chão.
Sem chorar, cortava algo em seu braço. Risos. Sentia-se bem. Levou a faca até o pescoço. Próximo passo. Alívio permanente ou pertubações eminentes.
Conforme sentia a faca roçar sua pele, de olhos fechados, podia ver os olhos espantados de curiosos ao lerem a manchete da manhã seguinte e dizerem: 'menina doida, tinha tudo que qualquer um poderia querer'. A resposta que desejava oferecer-lhes: 'Quantas pessoas conseguem olhar em seus olhos e dizer: "Eu sei que você não está bem."'. Por fim, ela finalmente conhecia a verdadeira alegria interminável da qual tanto ouvira falar por toda sua vida agora a possuia de maneira inexplicável. Os cortes não a machucavam mais.
A noite caia. A lua emergia de algum lugar. Não importava. Horas corriam por entre os ponteiros vagarosos. Corriam tanto que o sol voltava a brilhar no céu triste, nublado.
Os pais da menina chegaram há pouco da viagem. Ainda batem na porta, sem resposta...
O entardecer lhe dava a certeza de um destino obscuro, a falta de luz sobre seus pensamentos a deixava aflita. Cada segundo passava como espinho em suas suaves lembranças. Era pertubador. Como em um filme, cenas lamentáveis de sua vida transpostas em flashes rápidos Alienavam-na. Sentia escorrer sobre sua face algo que julgava ser lágrimas, visto que saiam de seus olhos.
Com todas as luzes de sua casa apagadas, sentiu-se tentada a ir à cozinha. Foi o que fez. Parada, a frente de seu armário, somente iluminada com o calor do luar ao entardecer, sentiu novamente aquele estranho líquido escorrer sobre suas bochechas. Abriu a gaveta na qual guardava seus talheres mais pesados e delicadamente, pousou a mão sobre tais. Em um especialmente. A viagem dos pais tornara a situação propícia, não haveria outra. O objeto cutuicava-lhe a palma da mão, mas não era suficiente. Aplicou mais força, até sentir a dor que a sufocava emanar por seu sangue.
Cada lágrima que escorria por seu rosto levava um pouco de sua aflição e abria a porta de boas-vindas para outras. Apesar da cozinha escura, podia ainda ver a vermelhidão de seu armário, antes bege. Já não tinha mais forças, a tontura a atacava com fulgacidade. Aos prantos, finalmente sentia-se feliz. A dor já não era tanta.
Agarrou sua aliviadora e escorregou pelo armário, até sentar-se no chão.
Sem chorar, cortava algo em seu braço. Risos. Sentia-se bem. Levou a faca até o pescoço. Próximo passo. Alívio permanente ou pertubações eminentes.
Conforme sentia a faca roçar sua pele, de olhos fechados, podia ver os olhos espantados de curiosos ao lerem a manchete da manhã seguinte e dizerem: 'menina doida, tinha tudo que qualquer um poderia querer'. A resposta que desejava oferecer-lhes: 'Quantas pessoas conseguem olhar em seus olhos e dizer: "Eu sei que você não está bem."'. Por fim, ela finalmente conhecia a verdadeira alegria interminável da qual tanto ouvira falar por toda sua vida agora a possuia de maneira inexplicável. Os cortes não a machucavam mais.
A noite caia. A lua emergia de algum lugar. Não importava. Horas corriam por entre os ponteiros vagarosos. Corriam tanto que o sol voltava a brilhar no céu triste, nublado.
Os pais da menina chegaram há pouco da viagem. Ainda batem na porta, sem resposta...

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