E então o sol brilhou. Brilhou como nunca havia brilhado. Seu coração se acalmou, e um esboço de um sorriso surgia em seu rosto... Sentada a beira-mar, a brisa da solidão soprava seu rosto, os fios de cabelo dourados eram jogados em sua face. Agradava-lhe aquela sensação... Sozinha, completamente só. Sim, era isso que ela havia buscado a tanto tempo. Mas, por que eles não voltaram? Por que não insistiram em lhe fazer companhia? Ela não falara a sério em seu discurso... Ninguém percebeu. Claro! Ninguém reparou na lágrima errante que percorreu seu rosto, ninguém reparou no tom estérico de sua voz, ou talvez todos houvessem reparado... Mas também, o que importa? Já faz tanto tempo... E por que? Por que não estavam sentados ao seu lado nesse momento? Seria necessário pedir? Pedir para que seus amigos a conheçam? Pedir para que eles a critiquem, a auxiliem, briguem, gritem, irritem... a ame... a ajudem... cuidem... se preocupem? A maré umidecia seus pés, acariciando-a, como se trouxesse a resposta, como se mandasse um aviso. Acreditaram que ela estava bem na primeira resposta, não!Ela até poderia estar bem, mas não tão forte quanto achava... Um. Dois. A respiração audível, nesse instante, foi interrompida pelo som de grãos de areia amassados. As pegadas se aproximavam cada vez mais. Estava acelerada, e acelerando continuava. Ela fechava os olhos, a luz solar foi dando espaço a sua inimiga, a escuridão. Fechar os olhos ajuda a diminuir a curiosidade e os anseios. Os passos estabilizaram, estáticos, sem oscilações. Agora, estavam parados atrás da menina, a um centímetro para encostá-la. Novamente, a única coisa que ela ouvia era sua respiração. Ao virar-se, obriu os olhos. Ela pôde, assim, perceber que seu novo companheiro era só a sua mente, pois a brisa voltou a soprar sua face sem nenhum obstáculo. Não há como negar: ela está sozinha.E, mais uma vez, a última folha da árvore da esperança pousa no chão em uma tarde de primavera
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